1 de outubro de 2009

Fidelidade Partidária (?)

Artigo de autoria do Jornalista Jânio Pinheiro de Holanda

Recentemente dois políticos piauienses mudaram de sigla partidária: o senador Mão Santa, que era do PMDB e pulou para o PSC e o Secretário de Desenvolvimento, e deputado estadual licenciado, Valério Carvalho, que conquistou o mandato pelo PTB e agora se transferiu para o PDT.

Esta é uma prática é uma atitude antiga tomada por políticos que têm seus interesses pessoais contrariados. Segundo a imprensa, o primeiro não mais se sentia confortado pelos seus pares dentro do partido e temia não concorrer à reeleição por causa de divergências com os governos do PT nos dois níveis. O PMDB mantém parceria administrativa e comanda órgãos do governo petista nas esferas estadual e federal.

Já o segundo, dizem, que foi por causa de rompimento de relações com o prefeito de Floriano - município que o elegeu como vice-prefeito e onde obteve votação expressiva para deputado estadual. Como disse, e repito o “Pulo do Gato”, dado pelos dois políticos, representa apenas o início de uma série de debandada de outras cabeças que ainda estão analisando o melhor caminho para percorrerem rumo às eleições de 2010. No entanto, fica a seguinte pergunta no ar: e a fidelidade partidária, onde fica? E o eleitor?

É por isso, que o número de milhões de eleitores brasileiros entre 16 e 17 anos caiu consideravelmente nos últimos anos. Em 2007, o número destes jovens eleitores reduziu pela metade em todo país. O TSE atribui isso ao fato de seqüentes escândalos e a infidelidade partidária. Ora, a liberdade democrática pressupõe liberdade de escolha e não voto obrigatório. Com o voto obrigatório criou-se o maior curral eleitoral do país. Os políticos dada à situação de mudança de partido nunca tiveram compromisso com ninguém.

O povo elege os representantes, mas não determina a política que estes vão executar. O eleitorado, pois, escolhe os senhores que vão governar o povo segundo bem lhes convir. Essa situação piora com a postura dos partidos os quais não estabelecem programas e sequer preocupam-se em escolher candidatos efetivamente comprometidos com os ideais partidários. O elemento pessoal é o que mais pesa na hora de escolher um candidato, seja a escolha feita pelo partido ou pelo eleitor, o que evidencia o generalizado desapreço pelos programas partidários, passando o candidato a valer mais que o partido.

Essa situação gera inúmeros problemas de representação que acabam culminando com a chamada “dança de cadeiras”, fenômeno pelo qual os parlamentares eleitos sob determinada legenda mudam de partido durante a mesma legislatura, como se estivessem trocando simplesmente o vestuário – e comumente mudam mais de uma vez.