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| Jânio Holanda |
O Ministério Público
deve ficar de olho no descompasso das pesquisas no Piauí que
certamente irão acontecer no período da campanha eleitoral para as
eleições municipais, principalmente em Teresina. Ao que parece-me
os ímpetos dos candidatos contratantes, bem como dos proprietários
desses “prestadores de serviços” e até de alguns meios de
comunicação devem ser contidos e fiscalizados.
Todos sabem que com a
proximidade do pleito vale tudo, com isso, o festival de pesquisas
deverá novamente confundir a cabeça do eleitorado, principalmente
dos mais incautos. A sede pelo poder faz os candidatos subverter as
leis e as normas básicas do jogo democrático. Para eles o
importante é chegar lá.
Hoje, no Piauí as
pesquisas eleitorais fazem parte de uma vantajosa atividade
lucrativa. Soube que uma pesquisa para as futuras eleições deverá
valer no mínimo R$ 40 mil reais. Ora, não é à toa que a
proliferação de institutos no Estado durante as campanhas
anteriores de dois pularam para seis. E tem mais: dizem as más
línguas, que para a alteração dos números alguns cobram até R$
500 mil.
As pesquisas hoje estão
mais para samba de crioulo doido do que para orientação e
norteamento das campanhas dos candidatos. Para a socióloga Célia
Retz, os resultados de intenção de votos divulgados por institutos
de pesquisa sugerem viés ideológico. Ela compara a percepção
dessa tendência de favorecer um ou outro candidato ao que acontece
em jornais e veículos de imprensa que se dizem isentos, mas têm
posição.
Diferenças na seleção
de amostras e na confecção do questionário podem favorecer um ou
outro candidato. As diferenças levam o debate para a imprensa.
Assim, pessoas que entendem de amostragem e metodologia podem, então,
esclarecer o eleitor. Porém, e muito estranho é saber que ninguém
ver uma empresa brigando com a outra. Parece que existe até uma
combinação. Isto, pois, se isso acontecesse, criaria um corpo
teórico na mídia que dá um entendimento melhor também para o
eleitor.
Cabe a quem acompanha
avaliar se acredita ou não nos dados. É simples perceber a
tendência do instituto, como se percebe no caso de um jornal ou TV.
Nem sempre. É comum divulgar a confiabilidade e os erros estimados,
que pouca gente sabe o que significam. Mas na hora de montar um
gráfico, alguns jornais retiram os indecisos e recalculam os
percentuais. Isso muda completamente a margem de erro. Com isso,
reduz-se a base da amostra, é cálculo de porcentagem sobre
porcentagem, o que aumentaria a margem de erro. Nas divisões por
regiões, ocorre o mesmo, mas a margem de erro maior não é
informada.
Portanto, comentam por
aí, que as pesquisas neste imenso país contam para a armação. E é
por isto que não é exagero exigir lisura neste momento. Porque
enquadram um cenário e é efetivamente elemento político comercial.
Talvez a mercadoria mais cobiçada e cara deste momento da campanha.
Jânio Holanda –
Jornalista
