7 de abril de 2012

Eleições 2012: Pesquisa será a mercadoria do momento

Jânio Holanda
O Ministério Público deve ficar de olho no descompasso das pesquisas no Piauí que certamente irão acontecer no período da campanha eleitoral para as eleições municipais, principalmente em Teresina. Ao que parece-me os ímpetos dos candidatos contratantes, bem como dos proprietários desses “prestadores de serviços” e até de alguns meios de comunicação devem ser contidos e fiscalizados.

Todos sabem que com a proximidade do pleito vale tudo, com isso, o festival de pesquisas deverá novamente confundir a cabeça do eleitorado, principalmente dos mais incautos. A sede pelo poder faz os candidatos subverter as leis e as normas básicas do jogo democrático. Para eles o importante é chegar lá.

Hoje, no Piauí as pesquisas eleitorais fazem parte de uma vantajosa atividade lucrativa. Soube que uma pesquisa para as futuras eleições deverá valer no mínimo R$ 40 mil reais. Ora, não é à toa que a proliferação de institutos no Estado durante as campanhas anteriores de dois pularam para seis. E tem mais: dizem as más línguas, que para a alteração dos números alguns cobram até R$ 500 mil.

As pesquisas hoje estão mais para samba de crioulo doido do que para orientação e norteamento das campanhas dos candidatos. Para a socióloga Célia Retz, os resultados de intenção de votos divulgados por institutos de pesquisa sugerem viés ideológico. Ela compara a percepção dessa tendência de favorecer um ou outro candidato ao que acontece em jornais e veículos de imprensa que se dizem isentos, mas têm posição.

Diferenças na seleção de amostras e na confecção do questionário podem favorecer um ou outro candidato. As diferenças levam o debate para a imprensa. Assim, pessoas que entendem de amostragem e metodologia podem, então, esclarecer o eleitor. Porém, e muito estranho é saber que ninguém ver uma empresa brigando com a outra. Parece que existe até uma combinação. Isto, pois, se isso acontecesse, criaria um corpo teórico na mídia que dá um entendimento melhor também para o eleitor.

Cabe a quem acompanha avaliar se acredita ou não nos dados. É simples perceber a tendência do instituto, como se percebe no caso de um jornal ou TV. Nem sempre. É comum divulgar a confiabilidade e os erros estimados, que pouca gente sabe o que significam. Mas na hora de montar um gráfico, alguns jornais retiram os indecisos e recalculam os percentuais. Isso muda completamente a margem de erro. Com isso, reduz-se a base da amostra, é cálculo de porcentagem sobre porcentagem, o que aumentaria a margem de erro. Nas divisões por regiões, ocorre o mesmo, mas a margem de erro maior não é informada.

Portanto, comentam por aí, que as pesquisas neste imenso país contam para a armação. E é por isto que não é exagero exigir lisura neste momento. Porque enquadram um cenário e é efetivamente elemento político comercial. Talvez a mercadoria mais cobiçada e cara deste momento da campanha.

Jânio Holanda – Jornalista