ARTIGOVou me dar o direito de escrever algumas considerações antecipadas sobre o livro “Torquato Neto ou a carne seca é servida” pesquisa/crítica ampliada do jornalista, poeta, pesquisador, crítico, professor, bacharel em direito Kenard Kruel que será lançado no dia 14 de Março às 19 horas no espaço Nova Brisa na Avenida Presidente Kennedy em Teresina por três motivações pessoais que passo a listar: a primeira, kenard Kruel tem sido um dos raros amigos leais que tenho durante estes trinta e poucos anos de convivência fraterna; a segunda, é porque li o texto gerador desta pesquisa/crítica publicado em 2001 pelo Instituto José Eduardo Pereira em opúsculo com prefácio de Paulo José Cunha e dedicados aos poetas Paulo Machado e Ramsés Ramos(em memória), também, amigos e irmãos e a terceira, é que esta pesquisa/crítica ampliada reafirma, de vez, todas as importâncias estéticas ou não do piauiense Torquato Pereira de Araújo Neto no contexto da cultura brasileira a partir da segunda metade dos anos sessenta e nos idos iniciais dos anos setenta com repercussões até hoje.
Conheci Kenard Kruel em 1977 quando fiz chegar até ele um livreto de textos de minha autoria intitulado “Vendedor de Picolé”. Ele estudava no Liceu Piauiense e já militava na imprensa estudantil e nas baladas culturais de então. Bons tempos aqueles apesar da repressão ferrenha da ditadura de 64. Conseguíamos combater os milicos repressores e seus representantes, aqui no Piauí, de frente, éramos subversivos e não sabíamos. Lembro-me de um episódio inusitado aqui envolvendo a grandeza humana de Kenard Kruel que perdura até hoje. Fomos contactados aqui em Teresina por um jornalista que depois se tornou acadêmico amigo de Mão Santa prefeito da Parnaíba neste tempo para ministrarmos uma palestra no litoral piauiense e lá fomos nós, eu, William Melo Soares, Francisco Eduardo Lopes, Rubervan du Nascimento e Menezes y Moraes quando chegamos lá o futuro acadêmico mais a respectiva esposa foram para as pousadas da Praia do Sol e nós Eu, William e Eduardo, os mais lisos, ficamos ao léu, perambulando pelas ruas até encontrarmos Kenard e Elmar Carvalho (juiz de direito, atualmente) que acabaram socializando boa comida e boa cama na casa dos pais deles. Sou grato aos dois até hoje. O engraçado é que o futuro acadêmico só apareceria dias depois em Teresina com a cara limpa e a pele bronzeada. A amizade fraterna com Kenard Kruel continuou depois no curso de letras da UFPI e mais tarde na militância cultural da cidade verde. Há poucos dias pelo MSN disse ao Gervásio Santos (um dos irmãos do Kenard) que “ele” é melhor que um milhão de certos comunistas e acadêmicos juntos.
Deixemos, agora de lado, as reminiscência e rasgação de sedas e foquemos mais sobre “Torquato Neto ou a carne seca é servida” que será lançado em breve, a princípio, acreditamos que esta obra deva manter a linguagem didática prazerosa do texto gerador publicado em 2001, pois o seu autor é um “craque” que sempre nos tem brindado livros que unem a informação jornalística abalizada fruto da militância jornalística cotidiana com o pedagógico-didático exercitado esporadicamente em salas de aulas. As obras de Kenard Kruel destinam-se tanto ao leitor comum como ao meio acadêmico/educacional carentes de boas leituras sobre a cultura brasileira de expressão piauiense. Os escritos kenardianos dos últimos anos refletem isso: linguagem jornalística instigante associada à estrutura pedagógica do ambiente acadêmico/escolar e como fonte de pesquisa, também. A nossa convicção, em razão destes pressupostos, é que “Torquato Neto ou a carne seca é servida” será um sucesso de venda e crítica com certeza.
Por fim, o tema Torquato Neto ainda não se esgotou ainda para nós brasileiros/piauienses, figura emblemática de todos os tempos, este piauiense ultrapassou os rincões para se colocar no âmbito do universal e do pós-moderno a nível de comportamento e proposta estética, rubricando de forma incisiva e clara todas as cogitações possíveis e impossíveis da vida pessoal. Sem querer levantar “teses” temos a audácia, ainda de dizer, que Torquato Neto foi um spleen pós-moderno e que deu, também, o tom da dissonância para todos os horizontes, inclusive para aqueles que se postaram além das soleiras das nossas casas ou no bico de gás numa trilogia conflitual de amorxvidaxmorte. Outra convicção premente: Torquato neto não foi, é assim, por isso que Kenard Kruel com o seu “Torquato Neto ou a carne seca é servida” faz bem em reabilitá-lo para o rol do nosso interesse cotidiano. E mais ainda “tô doido” para comprar esta versão ampliada na livraria da próxima esquina.
Artigo de autoria de Emerson Araújo
Professor de Literatura Brasileira e Portuguesa
Professor de Literatura Brasileira e Portuguesa