No atual contexto político brasileiro tem se feito algumas indagações sobre o que é mesmo fidelidade partidária ou qual é o conceito que o povo e os políticos têm a respeito deste tema?Diante disso, alguns esclarecimentos conceituais sobre a fidelidade partidária devem ser postos para que se faça uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto. O conceito mais comum de fidelidade partidária que se tem ao longo da história dos partidos é o de permanecer em uma só agremiação política até que ela se acabe ou pelo menos se transforme em outra sigla, configurando, com isso, a relação marido e mulher no pressuposto de viverem unidos até que a morte os separe.
O conceito mais comum de fidelidade partidária posto não se adequa ao universo político brasileiro, pois a maioria destes agentes que atuam via partido não tem na sua formação moral, ética e, até mesmo, espiritual o princípio da fidelidade como prática constante de procedimento, refletindo, assim, na atuação de cada um junto ao parlamento.
O político brasileiro, por formação, tem a sua atuação parlamentar constante centrada na prática das alianças espúrias e eleitoreiras em detrimento da fidelidade partidária, principalmente, em época de eleições. Por isso, não acreditamos que a problemática da fidelidade ou infidelidade partidárias será resolvida pela legalidade. Acreditamos que a solução mais cabível passa pelo fórum da educação política ética de eleitores e candidatos para garantirem de maneira mais clara este procedimento tão significativo para a democracia política da nação.
Entendemos, ainda, que a problemática da fidelidade partidária passa pela valorização dos partidos e pela abolição do personalismo exacerbado que é marca cotidiana, também, dos políticos brasileiros e respaldada por uma enorme quantidade de eleitores que culturalmente não aprendeu a valorizar as agremiações partidárias como ferramenta de apoio ideológico rumo ao poder. Votar em indivíduos é favorecer a infidelidade partidária, ao personalismo exacerbado, a corrupção política, ao vazio da atuação parlamentar em detrimento da luta e reivindicação coletivas que estão no bojo dos partidos políticos.
Outra reflexão importante está direcionada ao processo eleitoral que reafirma a necessidade do partido para habilitar as candidaturas de vários políticos, o que é correto, neste processo. Ocorrendo a habilitação desta maneira fica patente mais uma vez a necessidade imperiosa da agremiação partidária está acima das práticas políticas individuais, pois candidatos se servem desta instituição e dos seus pressupostos ideológicos para ascender a vida parlamentar e por isso mesmo devem manter a fidelidade partidária como compromisso definitivo da sua atuação política. Nesta reflexão, cabe também, a afirmação de que o partido político nos sistema democrático não deveria servir aos pleitos eleitoreiros e sim a transformação da sociedade, tornando-a mais justa e solidária.
Por fim, defender a fidelidade partidária se tornou uma prerrogativa necessária para o fortalecimento dos partidos para extinguir de vez do cenário nacional o político personalista, interesseiro, oportunista, corrupto e sem essência ideológica, além de modelar um novo parlamento onde a agremiação partidária seja cobrada pelos eleitores na execução dos seus programas e propostas defendidas nas campanhas eleitorais. Fica patente, ainda, nesta reflexão que a população pobre deste país ainda espera como prática de fidelidade política o atendimento básico das suas necessidades mais prementes, tais como: reforma agrária, pleno emprego, moradia, educação de qualidade, segurança, acesso a cultura e a distribuição de renda e riqueza da nação. Só assim teremos uma sociedade justa e que se direciona rumo a igualdade social.
Artigo de autoria de Alborino Teixeira
Teólogo e Professor de ensino religioso
E-mail: teixeiraalbirino@ig.com.br
Teólogo e Professor de ensino religioso
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