A Merck S.A. firmou um contrato para abastecer a Vegeflora Extrações do Nordeste LTDA por mais cinco anos, a contar de 2008, com matéria-prima destinada à exportação de sais de pilocarpina, princípio ativo do colírio para tratamento do glaucoma. Porém, a unidade industrial da Vegeflora, localizado na cidade de Parnaíba no estado do Piauí, está a mais de seis meses sem receber a folha do jaborandi (Pilocarpus Microphylos) de onde é extraído o produto. O cultivo do vegetal é desenvolvido pela Merck em sua fazenda localizada na cidade de Barra do Corda, no Maranhão.O motivo para a interrupção do fornecimento por parte da multinacional seria o interesse da mesma em um novo reajuste no preço matéria-prima. Segundo declara a Vegeflora, isso tornaria inviável o cumprimento dos contratos da mesma com seus clientes. Hoje a unidade industrial de Parnaíba é o maior exportador de pilocarpina do mercado mundial e caso a liminar que obriga a Merck a fornecer a folha do jaborandi não tenha um parecer favorável para o cumprimento do contrato de cinco anos, a Vegeflora já declarou que poderá suspender suas operações, o que significa que milhões de pessoas, usuários do colírio de pilocarpina, seriam prejudicadas pelo aumento do valor do produto ou mesmo a escassez, em virtude de não haver prazo suficiente para que outra indústria aumente sua produtividade e esteja dentro dos padrões dos órgãos de controle de saúde. O não tratamento do glaucoma resulta em cegueira.Outras duas graves conseqüências podem vir a acontecer em virtude do fechamento da Vegeflora: a demissão de mais de 50 funcionários e o Piauí perderia um de seus maiores exportadores. . A situação se agrava, se tratando de Parnaíba já que na cidade existem apenas quatro indústrias.
Em 2000 a Merck fechou outra indústria
A Vegetex, empresa fundada em 1972 na cidade de Parnaíba, produzia sais de pilocarpina e foi fechada por decisão da Merck no ano de 2000. Na época a empresa ficou com estoque de pilocarpina suficiente para abastecer o mercado mundial durante cinco anos.Um ano após o fechamento da Vegetex, cerca de 80% do estoque estava vendido depois do reaquecimento do mercado mundial, fazendo com que a multinacional retornasse às suas atividades desta vez de forma terceirizada. Foi então que em julho de 2002 o Grupo Centroflora assumiu o controle e os ativos da Vegetex, criando a Vegeflora licenciada no Brasil pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Matéria: Francisco Brandão