| Jânio Holanda |
É uma mania que o
brasileiro tem em falar sobre o valor das coisas de acordo com o
tamanho e o peso. Mas, isso não significa dizer que o ditado que
marca o título deste artigo faz referência às pessoas gordas ou
grandes. Na política, por exemplo, o tamanho e o peso de uma
liderança não é calculado ou medido pela massa corpórea, mas, sim
pelo poder e número de votos e que ela detém.
Quem assiste
diariamente os telejornais percebe quem é quem no parlamento
nacional. Apesar de a Câmara Federal possuir mais de quinhentos
deputados, apenas uma quinta parte é conhecida no cenário político.
Os demais só aparecem na telinha da TV quando se envolvem em alguma
falcatrua e são denunciados. Projetos de Lei e outras proposições
de relevância apenas são elaborados por uma meia-dúzia de
parlamentares já conhecidos do distinto público brasileiro.
Esse é o nosso Brasil:
país das maravilhas e do jeitinho brasileiro. Mas todos que estão
ali são “legítimos representantes do povo”. Pelo menos é que
eles apregoam em seus estados de origem. A maioria é eleita através
do poderio econômico/financeiro ou quando é apadrinhada por algum
Manda-Chuva encastelado no poder durante décadas. Mudanças na
legislação eleitoral? Para quê? Todos os anos às vésperas de
eleições eles próprios, para dar satisfação à sociedade,
ensaiam alguma coisa que vai ao encontro dos anseios da população
afirmando que haverá mudanças na legislação eleitoral. No
entanto, os planos ficam apenas nos debates, pois são duradouros e
os prazos terminam. Assim vem o pleito com as mesmas regras de
outrora. Recentemente, por iniciativa do TSE, foi introduzida a
fidelidade partidária, que rege sob o direito de os partidos serem
donos do mandato e não o cidadão que foi eleito.
Até aí tudo bem!
Entretanto, centenas dos que foram eleitos nas últimas eleições
trocaram de partido e apenas meia dúzia de peixe graúdo perdeu o
mandato sobrando a pena maior para os vereadores de pequenos
municípios. Pergunta-se: Por quê? Ora por causa do famoso jeitinho
brasileiro que aparece sempre nas horas necessárias para beneficiar
os próprios fazedores das leis. Sinceramente: vocês acreditam em
mudanças nas eleições do próximo ano? Se algum nobre político
for eleito a governador, por exemplo, e por ventura vier a perder o
mandato por infidelidade partidária, certamente recorrerá às
instâncias cabíveis dos diversos tribunais e ficará no cargo até
o final do período da gestão. Vamos acompanhar!
Agora que o tema sobre
a volta de Renan Calheiros à presidência do Congresso já estar
esquecido pela incauta população brasileira, devido o assunto do
momento girar em torno da aprovação da distribuição dos royalties
do pré-sal, todos os “representantes” dos estados que não eram
contemplados com os recursos querem aparecer com sua árdua
“contribuição” para o fato.
Portanto, o petróleo
irá escorrer pelo ralo eleitoral nos discursos dos candidatos nas
eleições de 2014. Sair na foto do aumento de participação nos
dividendos do petróleo é eleitoralmente mais lucrativo do que ser
identificado a um suposto engessamento de recursos de outras fontes.
Jânio Holanda -
Jornalista